quinta-feira, 26 de abril de 2012

Consequencias (imagens)

                                                                     




Constαtαções de 50.000 Estudos

A seguir temos uma pequena amostra do que preocupa os pesquisadores com relação ao fumo e à saúde:
  • Câncer de Pulmão: 
    87% das mortes por câncer de pulmão ocorrem entre os fumantes.
  • Doenças Cardíacas:
    os fumantes correm um risco de 70% maior de apresentar doenças cardíacas
  • Câncer de Mama: 
    as mulheres que fumam 40 ou mais cigarros por dia têm uma probabilidade 74% maior de morrer de câncer de mama.
  • Deficiências Auditivas:
    os bebês de mulheres fumantes têm maiores dificuldades em processar sons.
  • Complicações da Diabetes:
    os diabéticos que fumam ou que mascam tabaco correm maior risco de ter graves complicações renais e apresentam retinopatia (distúrbios da retina) de evoluções mais rápidas.
  • Câncer de Cólon:
    dois estudos com mais de 150.000 pessoas mostram uma relação clara entre o fumo e o câncer de cólon.
  • Asma:
    a fumaça pode piorar a asma em crianças
  • Predisposição ao Fumo:
    as filhas de mulheres que fumavam durante a gravidez têm quatro vezes mais probabilidade de fumar também.
  • Leucemia:
    suspeita-se que o fumo cause leucemia mielóide.
  • Contusões em Atividades Físicas:
    segundo um estudo do Exército dos Estados Unidos, os fumantes têm mais probabilidades de sofrer contusões em atividades físicas.
  • Memória:
    doses altas de nicotina podem reduzir a destreza mental em tarefas complexas.
  • Depressão:
    psiquiatras estão investigando evidências de que há uma relação entre o fumo e a depressão profunda, além da esquizofrenia.
  • Suicídio: 
    um estudo feito entre enfermeiras mostrou que a probabilidade de cometer suicídio era duas vezes maior entre as enfermeiras que fumavam.
  • Outros perigos a acrescentar à lista:
    câncer da boca, laringe, gargantas, esôfago, pâncreas, estômago, intestino delgado, bexiga, rins e colo do útero; derrame cerebral, ataque cardíaco, doenças pulmonares crônicas, distúrbios circulares, úlceras pépticas, diabetes, infertilidade, bebês abaixo do peso, osteoporose e infecções dos ouvidos. Pode-se acrescentar ainda o perigo de incêndios, já que o fumo é a principal causa de incêndios em residências, hotéis e hospitais.

Não Fumαntes em Risco


Você mora, trabalha ou viaja com fumantes inveterados? Então talvez corra o risco ainda maior de contrair câncer de pulmão ou doenças cardíacas. Um estudo realizado em 1993 pela Agência para Proteção do Meio ambiente (EPA, em inglês) concluiu que a fumaça de cigarro no ambiente é um carcinógeno do Grupo A, o mais perigoso. O relatório analisou exaustivamente os resultados de 30 estudos da fumaça produzidas pelo cigarro em repouso e da fumaça expelida depois de tragada.
      A EPA diz que a inalação passiva da fumaça de cigarro é responsável pelo câncer de pulmão que mata 3.000 pessoas todo o ano nos Estados Unidos. A Associação Médica Americana confirmou essas conclusões, em junho de 1994, com a publicação de um estudo que revela que as mulheres que nunca fumaram, mas que inalam fumaça de cigarro no ambiente, correm um risco 30% maior de contrair câncer de pulmão do que outras pessoas que também nunca fumaram.

      No caso das crianças pequenas, a fumaça de cigarro resulta em 150.000 a 300.000 casos anuais de bronquite e pneumonia. A fumaça agrava os sintomas de asma em 200.000 a 1.000.000 de crianças todo o ano nos Estados Unidos. A Associação Cardíaca Americana calcula que ocorram, todo o ano, 40.000 mortes por doenças cardiovasculares causadas pela fumaça de cigarro no ambiente. Um levantamento feito pela equipe de José Rosember, pneumologista brasileiro, avaliou os efeitos do tabagismo na saúde de 15 mil crianças entre zero e um ano. Nas famílias em que o pai fuma, cerca de 25%das crianças apresentou problemas respiratórios. Quando a mãe é fumante o número passa para 49%, pois ela tem mais contato com
 
Em 2002, o governo brasileiro estampará nos maços de cigarro, imagens e alertas aterradores, como por exemplo uma doente grave aparecendo num leito de hospital com câncer de pulmão. Terá também imagens de crianças prematuras para alertar o fumo durante a gravidez e frases de efeito como “Fumar causa impotência sexual”. Será a maior ofensiva contra os mais de 30 milhões de viciados, que segundo o Ministério da Saúde mata 80 mil brasileiros por ano.
      Mas, para quem quer se livrar da dependência, a medicina está trazendo tratamentos desde terapias e antidepressivos até chicletes e adesivos de nicotina. Já existem várias alternativas contra o cigarro, segundo o psiquiatra Montezuma Ferreira, do Ambulatório de Tabagismo do Hospital das Clínicas de São Paulo “Hoje é mais fácil parar de fumar”.

     Algumas dessas alternativas se baseiam na reposição de nicotina. O fumante é poupado dos efeitos da interrupção repentina do hábito, como a irritabilidade. Então, se oferece ao corpo a nicotina mas em doses menores até que ele dispense a substância, como é o caso do chiclete e do adesivo de nicotina. Há outros tratamentos que usam antidepressivos, com bupropriona (Zyban, da empresa Glaxowellcome). Mas ainda não se sabe como ele funciona contra a dependência. Acredita-se que a droga aumente o efeito de substâncias como a seretonina e a dopanina. Assim, o fumante teria as mesmas sensações de bem-estar causadas pela nicotina. Porém, esses tratamentos são recomendados para pacientes que fumam mais de quinze cigarros por dia, ou seja, um alto grau de dependência.

     Há até técnicas para quem, durante o tratamento, sente um desejo incontrolável de fumar. Trata-se de um sray de nicotina. Ao bater aquela vontade de tragar, o fumante pode borrifar um pouco do líquido no nariz. Mas esse produto só existe nos Estados Unidos. Já descobriu-se que o cérebro possui receptores de nicotina, espécies de fechadura localizadas nas células nas quais o composto se encaixa. A partir daí começam a ser liberadas no corpo substâncias como a seretonina, catecolamida e dopamina. Elas estão envolvidas no processamento de sensações como bom-humor e relaxamento. Com o tempo, o corpo se acostuma com a nicotina e precisa cada vez mais dela para sentir as mesmas coisas. Está consolidada a dependência.
      Sabe-se também que além da nicotina, o outro vilão é o alcatrão. Ele causa alterações nas células que podem levar ao desenvolvimento de vários tipos de câncer como o de pulmão e o de boca.

A Prαgα Se Espαlhα Pelo Mundo

A África, a Europa Oriental e a América Latina são o alvo dos fabricantes ocidentais de cigarro, que vêem nos países em desenvolvimento uma gigantesca oportunidade comercial. Mas a populosa Ásia é de longe a maior mina de ouro de todos os continentes. Só a china atualmente tem mas fumantes do que toda a população dos Estados Unidos – 300millhões. Eles fumam o total assombroso de 1,6 trilhão de cigarro por ano, um terço do total consumido no mundo! 

“Os médicos dizem que as implicações do estouro do fumo na Ásia são nada menores que aterradoras”, diz o jornal New York Times Richard Peto calcula que, dos dez milhões de mortes relacionadas com o fumo que se espera que ocorram todo ano nas próximas ou três décadas, dois milhões se darão na China. Cinqüenta milhões de crianças chinesas hoje vivas podem vir a morrer de doenças ligadas ao fumo, diz Peto. O Dr.Nigel Gray resumiu isso nas seguintes palavras: “A história do fumo nas últimas cinco décadas na China e na Europa Oriental condena esses países a uma grande epidemia de doenças ligadas ao fumo.

     “Como pode um produto que é a causa de 400 mil mortes prematuras por ano nos EUA, um produto que o Governo norte-americano quer a todo custo que seus cidadãos deixem de consumir, de repente tornar-se diferente fora das fronteiras americanas!”, perguntou o Dr.Prakit Vateesatokit, da Campanha Antifumo da Tailândia. “Será que a saúde se torna irrelevante quando o mesmo produto é exportado para outros países?.
      A próspera indústria de tabaco tem no governo dos Estados Unidos um aliado poderoso. Juntos lutam para ganhar terreno no exterior, especialmente nos mercados asiáticos. Por anos os cigarros americanos foram impedidos de entrar no mercado do Japão, Taiwan (Formosa), Tailândia e outros países, porque alguns desses governos tinham seus próprios monopólios sobre produto do tabaco. Grupos antifumo protestam contra as importações, mas a administração norte-americana usou uma arma persuasiva: tarifas punitivas .

      A partir de 1985, sobre intensa pressão do Governo dos Estados Unidos, muitos países asiáticos abriram as portas, e os cigarros americanos estão invadindo o mercado. As exportações americanas de cigarro para a Ásia aumentaram 75% em 1988.
      Talvez as vítimas mas trágicas da competitividade no mundo do fumo sejam as crianças um estudo divulgado na revista The Journal of the American Medical Association diz que “as crianças e os adolescente constituem 90% de todos os novos fumantes.
      Um artigo na revista U.S.News & Would Report calcula em 3,1 milhões a quantidade de fumantes adolescente nos Estados Unidos. Todo dia, 3.000 jovens começam a fumar – 1.000.000 por ano. A publicidade de certo cigarro apresenta a imagem de um personagem de desenhos animados, muitas vezes com um cigarro na boca, um camelo que adora se divertir e vive atrás dos prazeres da vida. Essa publicidade é acusada de engodar crianças e adolescentes, tornando-os escravos da nicotina, antes que compreendam os riscos para a saúde. Em apenas três anos de divulgação dessa publicidade, o fabricante teve um aumento de 64% nas vendas para adolescentes. Um estudo realizado na Faculdade de Medicina da Geórgia (EUA) constatou que 91% das crianças de seis anos de idade que foram avaliadas conheciam esse camelo fumante.

      Outro personagem muito conhecido no mundo do cigarro é o cowboy machão, despreocupado, cuja mensagem, nas palavras de um rapaz, é: “quando você está fumando, ninguém o segura”. Consta que o produto de consumo mais vendido no mundo é um cigarro que controla 69% do mercado entre os fumantes adolescentes e que a marca que mais investe em publicidade. Como um incentivo a mais, todo maço traz cupons que podem trocados por jeans, bonés e roupas esportivas do gosto da moçada.
      Reconhecendo o tremendo poder da publicidade, grupos antifumo conseguiram que se proibissem em muitos países os anúncios publicitários de cigarro na televisão e no rádio. Mas um jeito que os espertos anunciantes de cigarro acharam de driblar o sistema foi colocar outdoors em pontos estratégicos em eventos esportivos. É por isso que numa partida de futebol televisionada para uma grande audiência de jovens talvez apareça, em primeiro plano, a imagem do jogador favorito desses telespectadores, prestes a fazer uma jogada, e em segundo plano, sorrateiramente, um enorme outdoor.

      Aqui no Brasil, a minissérie Presença de Anita , chamou a atenção aos vários cigarros consumidos pela protagonista de apenas 18 anos. A representação foi tamanha, ao ponto da própria atriz tornar-se dependente. A mensagem descarada é que fumar dá prazer, boa forma, virilidade e popularidade. “Onde eu trabalhava”, disse um consultor de publicidade, “tentávamos de tudo para influenciar a garotada de 14 anos a começar a fumar”. Os anúncios na Ásia apresentam ocidentais atléticos, saudáveis e cheios de juventude, divertindo-se a valer em praias e quadras esportivas – fumando, é claro. “Top models e estilos de vida ocidentais criam padrões glamorosos a imitar”, comentou um informe de marketing, “e os fumantes asiáticos nunca se fartam disso”.

O que Há por Trαs Do Cigαrro

No mundo todo, três milhões de pessoas por ano -seis por minuto- morem por causa do fumo, segundo o livro Mortality From Smoking in Developed Countries 1950-2000, publicado em conjunto pelo Fundo Imperial de Pesquisas do Câncer, da Grã-Bretanha, pela OMS(Organização mundial de Saúde) e pela Sociedade Americana do Câncer. Essa análise das tendências mundiais com relação ao fumo, a mais abrangente até a presente data, engloba 45 países. “Na maioria dos países”, adverte Richard Peto, do Fundo Imperial de Pesquisas do Câncer, “o pior ainda está por vir. Se persistirem os atuais padrões de tabagismo, quando os jovens fumantes de hoje chegarem à meia-idade ou à velhice, haverá cerca de 10 milhões de mortes por ano causadas pelo fumo - uma morte a cada três segundos. 
     O fumo é diferente de outros perigos”, diz o Dr. Alan Lopez, da OMS. “Termina matando um em cada dois fumantes”. Martin Vessey, do Departamento de Saúde Pública da Universidade de Oxford, diz algo parecido: “Essas constatações no período de 40 anos levam à terrível conclusão de que metade de todos os fumantes terminará morrendo por causa desse hábito – uma idéia muito aterradora.” Desde a década de 50,60 milhões de pessoas morreram por causa do fumo. Essa idéia é muito aterradora também para a indústria do tabaco. Se todo ano, no mundo todo, três milhões de pessoas morrem por motivos ligados ao fumo, e muitas outras param de fumar, então todo ano é preciso encontrar três milhões de novos fumantes. 
      Uma fonte de novos fumantes surgiu por causa do que a indústria do tabaco aclama como liberação das mulheres. O fumo entre as mulheres é fato consumado já por alguns anos nos países ocidentais e agora está ganhando terreno em lugares em que se via nisso um estigma. Os fabricantes de cigarro pretendem mudar tudo isso. Querem ajudar as mulheres a comemorar a prosperidade e a liberação recém – conquistadas. Marcas especiais de cigarro que alegam ter baixos de nicotina e alcatrão engodam as mulheres que fumam e que acham esse tipo de cigarro menos prejudicial. Outros cigarros são perfumados ou então são longos e finos – o visual que as mulheres talvez sonhem conseguir fumando. Os anúncios de cigarro na Ásia apresentam modelos orientais, jovens e chiques, elegante e sedutoramente vestidas no estilo ocidental. 

      No entanto, o saldo de mortes relacionadas com o fumo ganha terreno, junto com a “liberação” feminina. O número de vítimas de câncer de pulmão entre as mulheres dobrou nos últimos 20 anos na Grã-Bretanha, no Japão, na Noruega, na Polônia e na Suécia. Nos Estados Unidos e no Canadá, os índices aumentaram 300%. “Você percorreu um longo caminho, garota!”, diz um anúncio de cigarro. Alguns fabricantes de cigarro têm sua própria estratégia. Certa empresa nas Filipinas, país predominantemente católico, distribuiu calendários gratuitos em que logo abaixo da imagem da Virgem Maria aparecia, descaradamente, o logotipo do cigarro. 
      “Nunca tinha visto nada igual”, disse a Dra.Rosmarie Erban, conselheira de saúde da OMS, na Ásia. “Estavam tentando relacionar o ícone ao fumo, para que as mulheres filipinas não se sentissem culpadas diante da idéia de fumar.” Na China, calcula-se que 61% dos homens adultos fumam, contra apenas 7% das mulheres. Os fabricantes ocidentais de cigarro estão de olho na “liberação” dessas belas orientais, milhões das quais por muito tempo foram privadas dos “prazeres” desfrutados pelas glamorosas ocidentais. Mas há uma pedra enorme no caminho: o fabricante estatal de cigarro supre o mercado com a maior parte do produto.

      As empresas ocidentais, porém, estão gradualmente conseguindo abrir as portas. Com oportunidades limitadas de publicidade, alguns fabricantes de cigarro procuram preparar o terreno para ganhar futuros clientes à surdina. A China importa filmes de Hong Kong, e em muitos deles os autores são pagos para fumar – um marketing sutil! Em vista do aumento das hostilidades em seu próprio país, a próspera indústria norte-americana do tabaco está estendendo seus tentáculos para aliciar novas vítimas. Os fatos mostram que os países em desenvolvimento são seu alvo, não importa o custo em vidas humanas.
      No mundo todo as autoridades sanitárias soam o alarme. Algumas manchetes: “África combate nova praga: o fumo.” “Fumaça vira fogo na Ásia enquanto o mercado tabagista dispara.” “Índices de consumo de cigarro na Ásia causarão epidemia de câncer.” “A nova batalha do Terceiro Mundo é contra o fumo” O continente africano tem sido castigado por secas, por guerras civis e pela epidemia da AIDS. No entanto, diz o Dr.Keith Ball, cardiologista britânico, “com exceção da guerra nuclear ou da fome, o fumo é a maior ameaça para a saúde da África no futuro”. 
      Gigantes multinacionais contratam lavradores para cultivar tabaco. Estes derrubam árvores cuja madeira é extremamente necessária para cozinhar, aquecer ambientes e construir casas e a usam como combustível para a cura do tabaco. Cultivam lucrativas plantações de tabaco em vez de produtos alimentícios menos lucrativos. Os africanos pobres geralmente gastam grande parte de sua escassa renda em cigarro. As famílias africanas definham, desnutridas, enquanto os cofres dos fabricantes ocidentais de cigarro engordam com os lucros.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Novαs Medidαs de Controle Do Tαbαco

A medida provisória 540 foi aprovada dia 26 de outubro na câmara e segue para o Senado. Ela prevê, entre outros temas, o aumento de impostos para produtos de tabaco, que ao se refletir em aumento de preços é considerada como uma das formas mais eficazes de desestimular e reduzir o consumo. Além disso, haviam sido inseridos outros temas ligados ao controle do tabagismo, como a adoção de ambientes livres do fumo, mas a redaçào estava ruim e podia acabar significando um retrocesso. Organizações e representantes da saúde protestaram e no fim tivemos uma melhora do texto, não total mas com boas perspectivas, como a adoção nacional de lei que proíbe o fumo em áreas fechadas, aumento de impostos, proibição de propaganda em pontos de venda, que seja aprovada em breve no Senado!

Cαmpαnhα Limite Tαbαco


Especiαl Cigαrro

“Há mais de 13 anos estamos em campanha. Não contra o prazer de fumar. Muito menos a favor dele. Nossa batalha é contra a imagem hipócrita que os fabricantes de cigarro tentam colar em um produto que gera dependência química. Corporações que agora se vendem como arautos da liberdade, fingindo ignorar uma grande contradição: se existe algo que o viciado em nicotina perde, além de muitos anos de vida saudável, é justamente a liberdade de escolha.”

Irresponsabilidade Social Parte 1



Responsabilidade social é um termo tão vago e amplo, que realmente muito combina com os discursos de algumas grandes indústrias, também vagos e principalmente muito camuflados. E isso se evidencia quando estamos falando das indústrias do tabaco, que várias vezes se auto intitulam como empresas responsáveis socialmente.
Temos como exemplo a grande quantidade de edições dos programas patrocinados pela Souza Cruz destinados aos Jovens Rurais, como o Programa de Empreendedorismo do Jovem Rural[i] (PEJR). Eles estão pautados nos ideais de “educação do campo”, “desenvolvimento sustentável dos territórios rurais”, “empreendedorismo e preocupação com o futuro do jovem rural” e “noções de cidadania”. O próprio site da Souza Cruz nos links que seguem a “Tradição em Responsabilidade Social” aponta: “o PEJR dedica-se ao desenvolvimento integral da juventude do campo, na busca de formas sustentáveis de geração de renda para a melhoria da qualidade de vida das comunidades rurais. Executado através de parcerias com instituições públicas e organizações sociais, o PEJR transforma jovens em empreendedores e líderes, com sensibilidade para identificar oportunidades para si e seus familiares, e também para o território em que estão inseridos”[ii].
A Souza Cruz só esqueceu de divulgar para mídia e até mesmo colocar no seu boletim mensal, que no seu sistema de produção os fumicultores trabalham em condições análogas as da escravidão, pois a servidão por dívida ainda existe na produção brasileira de tabaco, de modo que os fumicultores continuam a trabalhar em benefício das indústrias do tabaco pelo endividamento que eles assumem logo no primeiro contrato. Além disso, o fumicultor nem sequer possui uma cópia de seu contrato de trabalho e só descobre o sistema na qual se submeteu depois de estar endividado, visto que, num primeiro momento, o “empréstimo” que as indústrias proporcionam em relação aos galpões, terrenos e estufas, parece um bom negócio.
A Souza Cruz também se esqueceu de contar que mesmo com todos os programas que ela faz com o direcionamento aos jovens, o seu sistema de produção implica exploração da mão-de-obra infantil e juvenil. E que, na medida em que as crianças
estão matriculadas numa instituição de ensino, elas passam a ter uma dupla jornada de trabalho. De manhã vão para a escola e a tarde trabalham ajudando os pais, já que a demanda que as indústrias do tabaco exigem dos trabalhadores rurais é muito grande e estes devem se empenhar para atendê-las e não formar uma dívida maior.
Seria muito interessante se fosse publicado no “Acontece Souza Cruz” o número anual de pessoas resgatadas pelo Ministério Público do Trabalho e pela Polícia Federal e Militar que trabalhavam em condições análogas a de escravos. E a porcentagem de crianças que estavam entre essas pessoas.

Irresponsαbilidαde Sociαl Pαrte 2


Liberdade com responsabilidade: um valor inegociável para uma sociedade democrática e também para a Souza Cruz.”. São essas palavras que introduzem a publicidade institucional que compõe a quarta página (destinada apenas a esta propaganda) do Anuário da Justiça Federal (Brasileira) de 2012.
No ano de 2011 constam pelo menos quatro eventos jurídicos de grande porte patrocinados pela Souza Cruz
O CONBRASCON – Congresso Brasileiro dos Assessores de Comunicação da Justiça – no qual o próprio site define: “o CONBRASCOM estimula o desenvolvimento de uma política de comunicação voltada para esclarecer o cidadão, contribuindo para a
democratização das instituições e o acesso à Justiça. O Fórum Nacional de Comunicação & Justiça, entidade que promove o CONBRASCOM, considera que a informação, como prevê a Constituição, é um bem público, e que, portanto, a comunicação deve pautar-se pelo interesse coletivo e pela inclusão social.[i]
Duas edições do Congresso Libertas XXI, evento que objetiva discutir principalmente o tema: “Você é realmente é livre?”. Renomados juristas, filósofos, jornalistas e outros
pensadores, palestram sobre este tema, configurando relações entre o Direito Brasileiro e o tema liberdade, como por exemplo, a palestra sobre “Liberdades individuais x Interesses coletivos – subsídios para uma discussão democrática e sem preconceitos”.
O evento JUSTINA – Segunda Cúpula sobre o Judiciário e os Interesses Vitais da Nação Brasileira: “Objetiva-se, ainda, especificar os prejuízos causados à sociedade pela ineficiência do Estado, sobretudo no âmbito econômico, além de conhecer as deficiências do Judiciário brasileiro a fim de minimizar os danos sofridos pelos cidadãos.” [ii]
 Em que medida princípios como o da imparcialidade do juiz se manterão preservados diante de um cenário como este? Como podemos esperar que o histórico de jurisprudência das ações propostas por pessoas que sofreram danos decorrentes do tabagismo deixe de ser favorável às indústrias do tabaco?
 Como um evento que se propõe a discutir liberdade pode contar com o patrocínio de uma indústria cujo produto, além de causar dependência, traz danos à saúde de pelo menos metade de seus consumidores?
De que forma discutir comunicação, acesso à justiça e deficiências do Judiciário brasileiro sob o apoio das indústrias do tabaco?
Diante de um quadro como esse podemos perceber o quão problemático é o patrocínio/apoio das indústrias do tabaco a eventos jurídicos ou eventos sobre meios de comunicação que também abordam temáticas jurídicas.

A outrα fαce dα Industriα do Tαbαco


A Dra.Margaret Chan, que é Diretora geral da Organização Mundial de Saúde fez um discurso contundente na abertura da 15a Conferência Mundial Tabagismo ou Saúde, em 20/03/2012, em Cingapura. Segue a transcrição:
Excelentíssimos, ministros honoráveis, distintas delegações, membros da sociedade civil, senhoras e senhores, eu tenho o prazer de fazer a abertura da 15ª Conferência Mundial Tabagimo ou Saúde. Eu agradeço o Comitê de Promoção da Saúde de Cingapura por organizar este evento e estou satisfeita pela OMS colaborar com o suporte técnico. Esta conferência está sendo realizada num momento em que estamos somando nossos esforços para livrar o mundo de um vício mortal.
A princípio, o saldo está totalmente ao nosso favor. Em um mundo perfeitamente saudável, razoável e racional, a um nível de campo de batalha, a comunidade antitabagismo iria certamente falar com a voz mais alta e carregar o maior bastão. Evidências sobre danos físicos e custos econômicos sobre o consumo de cigarros continua crescendo e estou certa que esta conferência vai aumentar ainda mais as evidências. O fumo é considerado o primeiro fator mundial em mortes evitáveis. Nós sabemos disso estatisticamente, sem sombras de dúvida. Num mundo conturbado com crescentes crises econômicas, superpopulação, aumento das doenças crônicas, custos de saúde elevados, combater uma enorme e totalmente prevenível causa de doenças e mortes passa a ser o mais urgente. Nós sabemos os efeitos diretos que o uso do tabaco faz ao seu consumidor de diversas maneiras.
Nós sabemos que os produtos de tabaco matam seus consumidores. Nós sabemos que fumar é como uma bala perdida, que mata inocentes passantes que são obrigados a respirar o ar contaminado com centenas de gases tóxicos. Nós sabemos que a exposição ao fumo durante a gravidez faz do feto outra vítima inocente, indefesa e impotente. Nós sabemos que fumar não é uma opção. É um vício poderoso. A verdadeira opção é entre o tabagismo ou a saúde. Nós temos evidências, nós temos dados.
Como uma ferramenta para o contra-ataque, nós temos a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco da OMS, que conta com o comprometimento de 174 países em implementar os artigos e obrigações do tratado. Estas partes são responsáveis por aproximadamente 90% da população mundial de sete bilhões de pessoas. Se a segurança contra o tabagismo depende de números, nós os temos. Mas nós também sabemos que a implementação segue tímida, por várias razões, em vários países. Nós temos consciência desse problema também. Nós temos uma forma prática, custo-efetiva para por em escala a implementação das previsões do tratado em ação. Essa é a maneira mais eficaz de inserir as medidas de redução do tabagismo dentro do conjunto de medidas do MPOWER.
Nós temos um grande número de experiências internacionais bem sucedidas que mostram a efetividade destas medidas. As evidências também comprovam como essas medidas podem ter um impacto de valor agregado. Por exemplo, em um estudo publicado este ano, pesquisadores demonstraram que a política de ambientes de trabalho livres de fumo também reduziram o fumo em residências. Estes achados combatem a propaganda patrocinada pela indústria. Apenas a duas semanas atrás, outro grande estudo, envolvendo mais de 700 mil pesquisados descobriu que medidas contra o cigarro tiveram expressivos benefícios à saúde dos fetos. Isto prova que tanto para mulheres fumantes como mulheres não-fumantes, que nunca fizeram uso do cigarro, também estavam expostas aos efeitos do tabagismo passivo.
E nós temos um inimigo, cruel e diabólico, que faz nos unirmos e dar partida num impetuoso compromisso de prevenção. Infelizmente, é neste ponto onde a balança não pesa tão forte ao nosso favor. O inimigo, a indústria do tabaco, tem mudado de cara e suas estratégias. O lobo não está mais vestindo a pele de ovelha e seus dentes estão à mostra. As estratégias focadas em enfraquecer campanhas antitabagismo e subverter a CQCT, não estão mais cobertas ou disfarçadas sob a imagem da responsabilidade social.
As estratégias estão abertas e são extremamente agressivas. Ações judiciais de alto nível estão atingindo o Uruguai, Noruega, Australia e Turquia, e deliberadamente elaboradas para instalar o medo nos países que pretendem introduzir medidas similares de controle do tabagismo. O que a indústria quer é um efeito dominó. Quando um país hesita sob a pressão de um grandioso e prolongado processo que envolve decisões de bilhões de dólares, fica sujeito ao mesmo tipo das assustadoras e agressivas táticas da indústria.
É difícil para qualquer país carregar este peso financeiro deste tipo de processos judiciais, e, ainda a maioria acontecem em países tão pequenos como o Uruguai. Essa não é uma situação sã, ou razoável, ou racional em sentido algum. Não está no nível do campo de batalha. A indústria do tabaco pode arcar em contratar os melhores advogados e empresas de relações públicas que o dinheiro pode comprar. Grandes quantias de dinheiro podem falar mais alto que qualquer argumento moral ou ético de saúde pública e pode esmagar mesmo a mais contundente evidência científica. Nós já vimos isso acontecer antes.
É horrível pensar que uma indústria conhecida pelos seus truques sujos pudesse ter o trunfo de claramente se intrometer no que é evidentemente do interesse da saúde pública.
E há outras táticas, algumas novas e outras velhas guimbas em novos cinzeiros. Em alguns países, a indústria do tabaco está forçando a criação de comitês entre o governo e a indústria para derrubar ou esconder todas as medidas e legislações pertencentes ao controle do tabagismo. Não caiam nesta armadilha. Fazer isso é como criar um comitê de raposas para cuidar das suas galinhas. Mais e mais, pesquisas estão descobrindo a mão da indústria em ações jurídicas lançadas contra medidas de controle do tabagismo.
Comprar pessoas para usar o sistema judicial de um país para desafiar a legalidade das medidas que protegem a população é um flagrante abuso do sistema judicial e uma afronta ao poder supremo. Essa é uma interferência direta nas obrigações de um país.
Membros da sociedade civil, nós precisamos de vocês, mais agora do que nunca. A experiência tem mostrado que,quando políticas de governo hesitam ou enfraquecem perante a pressão da indústria, coalizões da sociedade civil podem assumir o comando e dar a direção. Nós precisamos deste tipo de protesto, deste tipo de agressividade. Moldar a opinião pública é vital. Se leis fortes de tabagismo ganharem adeptos, legisladores se voltarão a elas e lutarão contra a indústria.
Ano passado, durante a reunião de alto nível da União Européia sobre as doenças crônicas não-transmissíveis os países adotaram uma declaração política. Para reduzir os fatores de risco e criar espaços de promoção da saúde, governantes concordaram com a necessidade de acelerar a implementação da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco. Eles reconheceram que reduzir substancialmente o consumo de tabaco contribui para reduzir as doenças crônicas não-transmissíveis e tem benefícios consideráveis tanto para indivíduos como para os países.
Eles também reconheceram o fundamental conflito de interesse existente entre a indústria do tabaco e a saúde pública. Em meu discurso na reunião, eu lembrei aos participantes que a completa implementação da CQCT vai proporcionar o decisivo e maior golpe nas doenças cardíacas, câncer, diabete e doenças respiratórias. Eu convidei os dirigentes governamentais para lutar arduamente contra os esforços mesquinhos da indústria do tabaco para subverter este tratado.
Senhoras e senhores, eu tenho um comentário final. Eu vim de uma cultura que mostra respeito aos mais velhos. Então me deixem dizer que algumas pessoas mais velhas neste encontro devem se lembrar da campanha de marketing do cigarro Virginia Slims direcionada às mulheres jovens. Essa campanha visa fisgar meninas e mulheres jovens mostrando o ato de fumar como um ato de emancipação e liberdade. Este slogan era memorável “Você veio de um longo caminho, garota.”
Me deixem fazer ao contrário, criando minha própria campanha pessoal para a indústria do tabaco. “Nós viemos de um longo caminho, queridos adversários. Nós não vamos nos intimidar com suas ameaças. Seu produto mata cerca de seis milhões de pessoas a cada ano. Você comanda uma indústria mortífera e assustadora, mas não em uma caixa à prova de ataques. Indústria do tabaco: o número e a força dos seus inimigos da saúde pública vai prejudicar sua saúde.”
Senhoras e senhores, eu sinceramente espero que esta conferência, incluindo o painel ministerial de contra-ataque à interferência da indústria, ganhe a dianteira da situação totalmente ao nosso favor. Esta conferência é nosso evento divisor de águas. Eu sinceramente espero que este encontro promova prejuízos à saúde de uma indústria que agressivamente vende um vício destruidor da saúde. Nós podemos, nós devemos parar a contribuição massiva da indústria para a doença e morte, deixada no seu rastro. 

Pesquisα Vigitel divulgα número de Fumαntes


A pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), realizada anualmente, mostrou que o número de fumantes no Brasil caiu de 15,1% em 2010 para 14,8% em 2011. É preciso destacar que a pesquisa avalia apenas os adultos (maiores de 18 anos, portanto não inclui os adolescentes fumantes) e faz o levantamento de dados por telefone nas capitais brasileiras.
Em 2011 foram entrevistadas 54.144 pessoas nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal. A capital com maior percentual de fumantes é Porto Alegre (22,6%), seguida por Curitiba (20%), e São Paulo (19%). Em relação à pesquisa anterior, de 2010, observa-se uma redução do número de fumantes em SP (o índice anterior era de 20%).
Ainda de acordo com os dados, quanto maior a escolaridade, menor a chance de a pessoa começar a fumar. O percentual de fumantes com até oito anos de estudo é de 18,8%, quase o dobro das pessoas com mais de 12 anos de estudo (10,3%).

Lei αntifumo e Fαturαmento dos bαres

Quando a lei antifumo estava sendo discutida em SP, ouvimos muito de alguns representantes de associações de bares e restaurantes que isto iria trazer prejuízo e gerar desemprego no setor. Alegavam que por isso a lei não deveria ser aprovada, preferiam manter seus associados diariamente expostos à fumaça mas garantir a $impatia de seus parceiros da indústria do fumo.
Pois bem! Neste domingo a Revista da Folha noticiou: “Faturamento de casas noturnas, bares e restaurantes cresceu 15% nos últimos dois anos na capital”

Fumo Nα Grαvidez

Soube através do blog do Cesar Pazinatto que o Centro de Apoio ao Tabagista, do Rio de Janeiro, legendou e está divulgando o primeiro vídeo da campanha do National Health Services (NHS), do Reino Unido, cujo foco é o estímulo às mulheres grávidas para que parem de fumar.